Segundou com Orestes

Tenho comigo que a onomatopéia nasceu com os grandes arranha-céus! Historicamente possível e poeticamente plausível. Greg um provável trabalhador do não mais famoso Empire State Building em seu octagésimo dia de trabalho na obra, estava cada vez mais alto e cada vez mais acostumado com enebriante vista que poucos, como ele, ainda conheciam. Despertou para um outro sentido, o som. Lá do alto do quinquagésimo terceiro andar ele passou a notar o barulho da cidade, no início um zum zum zum polifônico irreconhecível que aos poucos ganhavam significado e entre uma martelada e outra, que era a sua melodia, ia se sobrepondo à contra-melodia da cidade. Nesse andar ficou um tempo maior pois foi necessário reparos do trabalho mal feito realizado por outra equipe anteriormente, e assim, com um tempo maior na mesma distância do chão passou a escutar e identificar diverso tipos de barulhos: Buzinas, marteladas, gases, pedras, vidraças, ventos, cantos , intrumentos , passos, corações, choros e respiros… Era um balé das Onomatopéias e ele seu maestro direcionando sua atenção aumentando e diminuindo a participação dos “músicos”. As semanas passaram e várias brincadeiras surgiram, mímicas com as mãos, pés e boca, divertiam os outros operários e ainda os sons de hora marcada que sempre geravam boas risadas. Um dia começou a imitar os sons com a boca e aos poucos tentando verbalizar. Tuf!, Poft!, Plift! Splash, Vushhh! Tim! Shov! Bum! e o que viesse na cabeça ia virando palavras-sons. Alguns meses depois e vários andares acima o novo repertório de palavras já fazia parte do dia a dia na obra e acontecimentos inusitados eram detalhados com encenações cheias de sons que intensificavam o gesto. Obra terminada inaugurada observada de baixo pra cima faziam o lembrar do balé que só ele ouviu e sua maior lembrança daqueles dias.
Obs: Ah! Sim! Greg um dia fazendo um pequeno reparo em um prédio baixo no centro velho de Nova York, olhava um jovem desenhista debruçado em sua prancheta na sala ao lado, o desenho o chamou atenção e começou a conversar, era uma linda cena do Spirit desenhada em Nankim, em um episódio onde o herói era acometido por uma explosão.
- Ei Will! Escreva aqui no meio BUM!!! Vai ajudar a mostrar o impacto dessa explosão aí!
- Bum! Ha Ha Ha!!!
- Ok! Legal Greg! Vou colocar.
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Canções assim que nascem no caótico trânsito de São Paulo.
Acesse meu SpotifyUma série sobre cinema, café e rotina.
Acesse meu canal YouTubeMauricio Brancalion é artista multimídia. Essa newsletter é uma produção mensal com seu conteúdo criativo. Feito com Inteligência Natural (IN) pode e deve conter erros.
mauricio.brancalion@gmail.com